você acorda com a água fria...
a sensação de estar sendo puxado
para uma corrente invisível.
olha para o espelho.
não há nada.
apenas você.
mas o silêncio é denso,
como se a casa estivesse esperando.
então você ouve.
um som abafado.
um tranco no azulejo.
você não sabe o que espera,
mas sabe o que vem.
no banheiro, eles estão,
mais uma vez.
os coelhos.
agora, mais grotescos,
corpos torcidos,
pelos manchados de algo escuro
que você não quer identificar.
a luz pisca,
um facho de branco iluminando
a criatura mais próxima,
seus olhos agora redondos,
fixos,
como se você fosse a presa
e não o caçador.
eles não se movem,
apenas observam,
e o chão está úmido,
não de água,
mas de algo quente e grosso.
você tenta gritar,
mas a boca fica seca,
como se os coelhos tivessem arrancado
qualquer vestígio de som.
um deles se aproxima,
lentamente,
como se entendesse a sua dor.
você sente a pressão de suas patas
no azulejo frio.
a respiração é pesada,
sua própria carne pulsa em terror,
mas não há como fugir.
eles sabem,
eles sempre souberam,
que o banheiro é o último lugar
onde você quer estar.
no espelho, agora,
um coelho sorri.
mas é você.
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