terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Os Coelhos Saíam de Dentro das Rosas

 os coelhos saíam de dentro das rosas...

Pelos em espiral,
floridas em ouro líquido.
não havia cheiro,
apenas cores que se desenrolavam
como fitas,
como labirintos pulsantes.

seus olhos, buracos cósmicos,
capturavam fragmentos de tempo,
e cada salto era uma explosão silenciosa,
uma sinfonia sem som.
os jardins,
agora ondas líquidas de névoa e fogo,
deslizavam sob meus pés
como se o chão fosse apenas
um pensamento antigo,
esquecido.

as pétalas caíam e se abriam
em espiral infinita,
cada uma revelando outra flor,
outro coelho,
em um ciclo que nunca se repetia,
mas se multiplicava,
como o universo em expansão.

as rosas respiravam em versos,
seus espinhos dançavam como guitarras de cristal,
e eu,
me afundava,
não em dor,
mas em êxtase puro,
em ondas de luz que me atravessavam,
como se o tempo fosse um fio
se desfiando no vento.

os coelhos,
agora em milhares,
não mais em minhas mãos,
não mais em meu olhar,
mas no céu,
nas estrelas que piscavam em segredo,
nos sonhos que o universo
esquecia de contar.

e eu,
um espelho de sombra,
um eco do infinito,
me perdi nas rosas,
onde o espaço não existe
e o tempo se dissolve,
em espirais de luz,
onde os coelhos saem,
sempre,
sempre,
do nada.




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 os coelhos saíam de dentro das rosas... Pelos em espiral, floridas em ouro líquido. não havia cheiro, apenas cores que se desenrolavam ...