eles estão lá,
pelos cantos,
com olhos que furam a escuridão.
coelhos, sim, coelhos —
não da loja de brinquedos,
não do campo.
eles não se mexem.
observam.
suas sombras são garras no teto,
suas orelhas, antenas que captam
os pensamentos que você tenta esconder.
respiração pesada,
o ar fica denso como a culpa.
você fecha os olhos,
mas ainda sente o peso deles.
não pulam, não mordem.
não precisam.
o terror está no silêncio,
na certeza de que sabem algo
que você não sabe.
um deles mexe a cabeça.
ou talvez não.
seus nervos gritam
e a madrugada estica
como um elástico prestes a arrebentar.
o sol vai nascer
e os coelhos vão sumir.
mas você sabe,
como eles sabem,
que sempre voltam.
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